...ou de nada; ou só de algumas coisas, dependendo do dia ( e sobretudo da noite )

segunda-feira, dezembro 26, 2005

de quoi parles tu quand tu parles d'amour?



do amor estúpido-estupidificante que desliga o cérebro? daquele que se sente na língua, como o sabor dos primeiros raios de sol da primavera?

daquele confinado à ponta dos dedos que se tocam por mero acaso num metro mais apertado? ou dum olhar fugaz entre desconhecidos, que acelera subitamente a pulsação?

de quoi parles tu?

do amor ébrio da solidão da noite? quando se trocam mensagens na procura frustrada de um corpo que sirva de sedativo à dor de não doer? . qualquer corpo . do amor frio no movimento dos corpos que deslizam mecanicamente num ritmo compassado?

do amor inconsequente e fortuito? da fúria da carne, da volúpia repentina, dos acordos tácitos e dissimulados. do "é-só-hoje-amanhã-não-se-passou-nada"? ou do "só-mais-esta-vez"?

de quoi parles tu?

do delírio narcótico que faz brilhar os olhos? do exasperar da ausência e da distância? do ranger de dentes nas noites frias? do sorriso involuntário com que acordas de manhã? do peito vazio escavado por dentro, cheio de fumo de cigarros? da entrega total? ou da subserviência? da partilha? do egoísmo egocêntrico? da cumplicidade?

do paradoxo que é sentir simultaneamente o coração acelerar e deixar de funcionar?

dis moi - de quoi parles tu quand tu parles d'amour?

.


state of mind: hands around my throat_death in vegas